A ONU aprovou uma resolução que reconhece a escravidão como um dos maiores crimes da história. Apesar do avanço simbólico, especialistas alertam que o impacto real depende de ações concretas, como reparações e devolução de bens saqueados.
João Jorge Santos Rodrigues destaca a importância das ações afirmativas para os descendentes e critica a resistência em museus europeus, que retêm obras saqueadas, além da rejeição às cotas raciais no Brasil. Thaís Bernardes reforça que, sem políticas que distribuam recursos e garantindo direitos, a resolução será apenas um discurso bonito.
O futuro dessa decisão depende da implementação efetiva de políticas públicas que enfrentem as desigualdades raciais, especialmente no Brasil, onde a exclusão estrutural ainda persiste.
O reconhecimento da escravidão como o maior crime da história da humanidade, aprovado recentemente pela ONU, marca um avanço histórico, mas só terá impacto real se for seguido de reparações concretas. João Jorge Santos Rodrigues, presidente da Fundação Cultural Palmares, ressalta que a resolução deve incluir a devolução de bens saqueados de países africanos colonizados e ações afirmativas para os descendentes da população escravizada.
Rodrigues destaca que a resistência à devolução desses bens está ligada ao lucro gerado pelo turismo em museus europeus, citando o exemplo do busto de Nefertiti em Berlim, que segundo ele deveria estar no Egito. Além disso, critica as objeções às cotas raciais no Brasil, argumentando que a “meritocracia” só faria sentido se os beneficiários da escravidão devolvessem o que lucraram.
A recusa dos EUA, Israel e Argentina em apoiar a resolução é justificada por Rodrigues: os EUA continuam se beneficiando historicamente da escravidão; Israel relaciona sua negativa a interesses territoriais; e a Argentina tenta ignorar o legado de exclusão da população negra na saúde.
Thaís Bernardes, fundadora do jornal Notícia Preta, reforça que, sem reparação, a resolução será “apenas uma cerimônia”. Para ela, é essencial a redistribuição de recursos, acesso a direitos e compromisso institucional para mudanças estruturais que enfrentem as desigualdades persistentes.
Ambos apontam que o futuro depende de ações concretas para transformar o reconhecimento da ONU em políticas públicas eficazes, especialmente no Brasil, onde ainda há grande desigualdade racial.
Via Sputnik Brasil