Nos Estados Unidos, o transplante de órgãos de porcos geneticamente modificados para humanos é crescente, mas o cultivo de órgãos humanos em porcos é proibido por razões éticas. A principal preocupação é o risco de as células humanas afetarem o cérebro dos porcos, podendo alterar sua cognição e status moral.
Essa restrição visa evitar que a linha entre humanos e animais se torne difusa, protegendo o bem-estar dos porcos. Enquanto isso, o uso de órgãos de porcos geneticamente alterados para transplantes continua, apesar do risco de rejeição ainda existir.
O debate sobre os limites éticos dessa prática segue influenciando decisões dos órgãos reguladores nos EUA, e o avanço no cultivo de órgãos humanos em animais permanece complexo e controverso.
Nos Estados Unidos, o transplante de rins de porcos geneticamente modificados em humanos é uma realidade crescente, mas o cultivo de órgãos inteiramente humanos dentro desses animais permanece proibido. Essa proibição, que dura há mais de uma década, baseia-se principalmente em questões éticas, sobretudo o receio de que a linha entre humanos e porcos possa se tornar difusa.
Enquanto os porcos são alterados para que seus órgãos sejam aceitos pelo sistema imunológico humano, os esforços para cultivar órgãos humanos a partir de células-tronco inseridas em embriões de porcos foram suspensos pelo National Institutes of Health (NIH) em 2015. A razão principal é o medo de que células humanas se espalhem para o cérebro dos animais, possivelmente alterando sua cognição e elevando seu status moral.
Isso implica uma preocupação com a autoconsciência e o sofrimento dos animais, diferenciando o dano causado a seres sencientes e autoconscientes. Contudo, essa perspectiva é vista como inadequada por alguns especialistas, já que o status moral atribuído a seres vivos depende mais de sua espécie do que de capacidades cognitivas específicas.
O uso de órgãos de porcos geneticamente modificados para transplantes não elimina a necessidade de imunossupressores, pois o risco de rejeição ainda persiste. No entanto, essa prática segue em expansão devido à escassez de órgãos humanos disponíveis para transplante. Por outro lado, cultivar órgãos humanos em porcos ainda encontra resistência, sobretudo por causa das implicações éticas e da complexidade do desenvolvimento dessas quimeras.
Assim, o debate sobre a fronteira entre espécies e os critérios morais para a pesquisa com quimeras continua vigente, influenciando as decisões dos órgãos reguladores dos EUA e o avanço tecnológico na medicina regenerativa.
Via Folha de S.Paulo