O papel da qualidade e da inovação na avaliação da ciência no Brasil

Entenda como qualidade e ousadia impactam a avaliação e o financiamento da ciência no Brasil.
13/02/2026 às 19:22 | Atualizado há 5 horas
               
No Brasil, fomento ainda evita riscos científicos, mas mudanças surgem na pesquisa de ponta. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

A avaliação da pesquisa científica é essencial para garantir qualidade, relevância e integridade dos projetos. Ela ocorre antes e depois da execução, equilibrando expectativas e resultados concretos.

O processo envolve critérios técnicos e valores sociais sobre o que é considerada boa ciência, favorecendo tanto propostas seguras quanto ideias inovadoras. No Brasil, há um movimento para incentivar pesquisas de alto risco e potencial transformador.

O desafio está em equilibrar o risco e mérito, tolerando incertezas para fomentar descobertas disruptivas. O Estado tem papel crucial em incentivar esse ambiente propício à inovação científica.

A avaliação da pesquisa científica exerce papel crucial na governança da ciência, assegurando qualidade, relevância e integridade. Ela acontece em duas fases: antes da execução dos projetos, onde prevalecem incertezas, e após a conclusão, quando os resultados são mensuráveis. Esse equilíbrio entre promessa e evidência orienta o sistema atual.

O processo vai além de uma análise técnica, refletindo valores sociais sobre o que é considerada boa ciência. No financiamento público, propostas são avaliadas por critérios como originalidade, mérito e viabilidade, além da qualificação da equipe e adequação orçamentária, geralmente via revisão por pares.

Um desafio importante está na consideração do risco científico, inerente a pesquisas de fronteira que buscam romper paradigmas. Iniciativas internacionais como os programas High-Risk, High-Reward dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e projetos do European Research Council (ERC) exemplificam o financiamento a ideias audaciosas, mesmo sem garantias de sucesso.

No Brasil, embora ainda prevaleça uma cultura voltada a resultados previsíveis, há esforços para o incentivo à ciência de alto risco, como no edital do Instituto Serrapilheira, que aceita propostas sem comprovação exaustiva de viabilidade. Essa mudança busca equilibrar investigação segura e projetos visionários com potencial para descobertas disruptivas.

A avaliação deve tolerar a incerteza e o erro, distinguindo projetos com fundamentação sólida de propostas frágeis, sempre alinhando risco, mérito e impacto social. O papel do Estado é fundamental para criar um ambiente que permita a ousadia necessária à ciência transformadora.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.