No cenário do agronegócio brasileiro, a busca por um posicionamento de destaque no mercado global passa, necessariamente, pela conciliação entre produção e sustentabilidade. A Brasil na COP30 se apresenta como uma oportunidade crucial para o país demonstrar seus avanços e compromissos com práticas agrícolas responsáveis e inovadoras, buscando consolidar sua imagem como potência tanto no setor agrícola quanto ambiental.
A engenheira agrônoma Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, ressalta a importância de apresentar ao mundo as pesquisas e inovações que o Brasil tem desenvolvido na área ambiental. Segundo ela, é preciso mostrar que o país está empenhado em reverter a imagem de “vilão da natureza”, transformando-se em protagonista de soluções sustentáveis para o agronegócio.
Para Paula Packer, a participação do agronegócio na COP30, que será realizada em Belém do Pará, é um momento chave para o Brasil. O objetivo é apresentar o que já vem sendo feito em termos de soluções ambientais e definir como o país pode avançar ainda mais a curto e médio prazo. A meta é que o Brasil se destaque na conferência como um país que alia produção e práticas sustentáveis no campo.
A agropecuária, embora responsável por uma parcela significativa das emissões de gases poluentes, também se destaca como um importante captador de carbono. O setor tem investido em diversas práticas para mitigar seu impacto ambiental, como a expansão de áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), a adoção de práticas regenerativas para a saúde do solo, a redução do ciclo produtivo de bovinos para diminuir as emissões de metano, a recuperação de pastagens, o uso de biofertilizantes e o investimento contínuo em pesquisa.
Apesar dos avanços, Paula Packer aponta que o setor precisa aprimorar a comunicação dessas práticas. Um dos desafios da Embrapa é auxiliar os produtores e contribuir para a criação de políticas públicas que incentivem a adoção de tecnologias e práticas sustentáveis. A COP30 será uma vitrine para apresentar essas iniciativas e promover discussões relevantes sobre o futuro do agronegócio brasileiro.
O agronegócio terá um espaço dedicado na COP30, o Agrizone, localizado na sede da Embrapa Amazônia Oriental. O objetivo é demonstrar como o Brasil se tornou um importante player na segurança alimentar global, com uma produção sustentável e tecnológica. Serão apresentadas diversas tecnologias, como a calculadora de baixo carbono da Embrapa, além de promover debates sobre o tema.
Um dos desafios para o Brasil é a organização do mercado de carbono, que ainda carece de indicadores, métricas e protocolos bem definidos. As discussões estão em andamento e a expectativa é que a regulamentação do mercado de carbono no país impulsione a redução de emissões de gases de efeito estufa. A tropicalização das métricas de emissões, ou seja, a adaptação dos cálculos para as condições do solo e clima locais, é outro ponto fundamental para o sucesso do mercado de carbono no Brasil.
O Brasil tem a chance de se firmar como um importante player agrícola e ambiental, unindo lideranças científicas, produtores e parceiros para mostrar a sustentabilidade do setor produtivo. A participação na Brasil na COP30 é uma oportunidade para apresentar os avanços do país e construir um futuro mais sustentável para o agronegócio brasileiro.
Via Forbes Brasil