Peixe ancestral usava pulmão para captar sons debaixo d’água

Estudo revela que peixes antigos usavam pulmões para audição subaquática, uma adaptação que desapareceu na evolução.
26/03/2026 às 18:21 | Atualizado há 2 horas
               
Raio X avançado revela conexão entre pulmão e ouvido interno em peixes pré-históricos. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Peixes pré-históricos do grupo dos celacantos, que viveram há cerca de 240 milhões de anos, utilizavam seus pulmões também para captar sons debaixo d’água. Essa descoberta foi possível graças à análise de fósseis feita com técnicas avançadas de raios X, revelando uma estrutura óssea que conectava o pulmão ao sistema auditivo desses animais.

O pulmão funcionava como órgão sensorial, transmitindo ondas sonoras para os ouvidos internos, de maneira semelhante à bexiga natatória de peixes modernos. Apenas duas espécies antigas apresentavam essa característica, que foi gradualmente perdida com a adaptação a ambientes marinhos profundos.

A pesquisa evidencia como a evolução moldou os sentidos dos organismos aquáticos ao longo do tempo, mostrando a multifuncionalidade dos órgãos e a complexidade dos sistemas sensoriais em espécies antigas.

É comum relacionarmos órgãos aos sentidos, como olhos à visão. No entanto, um estudo recente mostra que alguns peixes pré-históricos do grupo dos celacantos usavam os seus pulmões para audição subaquática. Esses animais, que viveram há cerca de 240 milhões de anos, tinham pulmões desenvolvidos ligados a estruturas ósseas, que, segundo pesquisadores do Museu de História Natural e da Universidade de Genebra, atuavam também na detecção de sons.

Com o uso de imagens feitas por síncrotron, uma técnica avançada de raios X, foi possível analisar a estrutura interna dos fósseis encontrados na França. O exame revelou um pulmão ossificado com extensões ósseas, além de um canal que conecta os órgãos de audição e equilíbrio nos embriões dos celacantos modernos, indicando um sistema sensorial complexo para captar ondas sonoras debaixo d’água.

Essa conexão funcionava transmitindo os sons captados no pulmão para os ouvidos internos dos peixes, de forma semelhante à função da bexiga natatória em peixes atuais de água doce. A descoberta foi divulgada na revista Communications Biology e sugere que o órgão pulmão tinha múltiplos usos além da respiração.

Apenas duas espécies desses peixes antigos apresentavam essa adaptação, que foi gradativamente perdida conforme seus descendentes se adaptaram a ambientes marinhos profundos. Seus pulmões regrediram e o sistema auditivo via pulmão tornou-se desnecessário, evidenciando como a evolução moldou as funções sensoriais de organismos aquáticos ao longo dos milênios.

Via Galileu

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.