Peixe bodião-limpador demonstra inteligência similar a mamíferos, aponta estudo japonês

Estudo japonês comprova que bodião-limpador apresenta inteligência comparável a de mamíferos.
22/02/2026 às 15:21 | Atualizado há 4 horas
               
O peixe Labroides dimidiatus aprendeu a usar seu reflexo em 82 minutos no experimento. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, revelaram que o bodião-limpador (Labroides dimidiatus) exibe um nível de inteligência próximo ao observado em mamíferos. No estudo, os peixes foram marcados com manchas que simulavam parasitas e, ao serem expostos a espelhos, utilizaram o reflexo para se limpar dessas marcas em cerca de 82 minutos, um tempo muito menor do que em testes anteriores.

Além disso, os bodiões demonstraram testar a reação do reflexo ao levar pedaços de camarão à frente do espelho, indicando uma percepção avançada do ambiente visual. Para os pesquisadores, esses resultados sugerem que a autoconsciência pode ser mais comum entre os animais do que se imaginava, estendendo-se inclusive a peixes.

Essa descoberta amplia a compreensão sobre a inteligência animal e a capacidade de autoconhecimento, mostrando que essa habilidade pode estar presente em grupos de animais além dos tradicionalmente estudados, como mamíferos e aves.

Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, publicaram no Scientific Reports um estudo que mostra que o bodião-limpador (Labroides dimidiatus) apresenta um nível de inteligência similar ao de mamíferos. Os peixes foram marcados com manchas que simulavam parasitas e colocados diante de espelhos pela primeira vez. Rapidamente, eles usaram o reflexo para se limpar dessas “marcas”, o que ocorreu em média em 82 minutos, contra dias em experimentos anteriores.

O estudo inverteu a ordem dos testes anteriores, apresentando as marcas antes do espelho. Isso fez com que os peixes associassem a visão do reflexo a algo estranho no corpo, acelerando o comportamento de limpeza. Algumas interações demonstraram ainda que os bodiões realizaram um teste de contingência: levavam pedaços de camarão para a frente do espelho, observando como o objeto interagia com a imagem refletida, o que indica uma percepção avançada sobre o ambiente visual.

Para o pesquisador Shumpei Sogawa, isso sugere que a autoconsciência pode ser mais comum entre os animais do que se imaginava, incluindo peixes. Animais como raias-manta e golfinhos também exibem comportamentos semelhantes, que envolvem o uso de ferramentas e o entendimento da relação entre um espelho e os objetos ao redor.

Essas descobertas ampliam a discussão sobre a inteligência animal e o autoconhecimento, evidenciando que a capacidade de reconhecer a si mesmo pode estar presente em grupos taxonômicos mais amplos que os tradicionalmente estudados.

Via Galileu

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