Um estudo publicado na revista Cognitive Science revelou que plantas, como a Mimosa pudica, podem contar eventos ao adaptar movimentos das folhas conforme ciclos de luz e escuridão. Isso indica uma capacidade de aprendizado semelhante a animais.
Experimentos mostraram que a planta ajusta seu comportamento conforme o ritmo dos ciclos de luz, mas perde esse padrão quando os ciclos são aleatórios. Essa descoberta amplia o entendimento sobre a memória e percepção em plantas, tradicionalmente associada a criaturas com cérebro.
Uma pesquisa publicada na revista Cognitive Science revelou que as plantas podem ter a capacidade de contar eventos, baseada no comportamento da Mimosa pudica. Essa espécie apresenta um movimento específico: suas folhas se fecham ao toque e durante a noite, abrindo-se com o nascer do sol, fenômeno chamado nictinastia.
Os pesquisadores Peter Vishton e Paige Bartosh conduziram experimentos numa sala sem janelas, onde as plantas foram expostas a ciclos controlados de luz e escuridão. Inicialmente, foram usados ciclos de 24 horas, com 12 horas de luz e 12 horas de escuridão. Após algumas repetições, as plantas passaram a movimentar suas folhas mais antes do amanhecer nos dias previsíveis de luz, mas não quando ficaram totalmente escuras no terceiro dia.
Esse comportamento sugere que as plantas podem “aprender” a sequência de eventos, um padrão semelhante ao processo de aprendizagem em animais, segundo os pesquisadores. Para testar se as plantas estavam apenas reagindo ao tempo, os ciclos de luz foram ajustados para 20 horas, e elas rapidamente adaptaram seus movimentos a esse novo ritmo.
Experimentos adicionais mostraram que quando os ciclos ficaram com duração aleatória (entre 10 e 32 horas), o padrão de movimento das plantas desapareceu. Isso indica um limite de memória e processamento. Dentro do intervalo convencional, as dormideiras continuaram respondendo ao número de eventos, e não apenas ao tempo, reforçando a ideia de que podem contar eventos, um feito atribuído tradicionalmente a organismos com cérebro.
Via Galileu