Pesquisa revela que tinta azul em Pompeia custava quase um ano de salário de um legionário romano

Tintas azuis em Pompeia valiam quase o salário anual de um legionário romano, mostra pesquisa histórica.
10/03/2026 às 09:01 | Atualizado há 3 horas
               
Romano usou azul egípcio na Sala Azul de Pompeia, tinta rara e valiosa. (Imagem/Reprodução: Noticiabrasil)

Estudo realizado por pesquisadores dos EUA e Itália analisou a tinta azul utilizada nas paredes da famosa sala azul de Pompeia. O pigmento encontrado foi o azul egípcio, um dos primeiros pigmentos artificiais e bastante raro na época da Roma Antiga.

A pesquisa mostra que o custo dessa tinta equivalia a cerca de 50% a 90% do salário anual de um soldado romano, indicando um alto investimento do proprietário na decoração. O azul egípcio, além de raro, era um símbolo de status devido à sua exclusividade.

Esses dados ampliam a compreensão econômica e social do Império Romano, revelando como materiais valiosos eram usados para demonstrar poder e riqueza na antiga cidade soterrada pelo Vesúvio.

Pesquisadores dos Estados Unidos e da Itália estudaram a tinta utilizada para decorar a famosa sala azul em Pompeia, cidade antiga soterrada pela erupção do Monte Vesúvio. A análise mostrou que as paredes foram pintadas com azul egípcio, um pigmento artificial que começou a ser produzido no Egito por volta do terceiro milênio a.C. e que era raro e caro, mesmo na Roma antiga.

O azul egípcio era uma pigmentação exclusiva, encontrada em poucos monumentos antigos, e o custo para aplicar essa tinta na sala foi proporcionalmente alto. Os cientistas mediram a espessura da camada azul nas paredes e calcularam que foram usados entre 2,7 e 4,9 kg de pigmento. O valor da tinta comprada só alcançava de 50% a 90% do salário anual de um legionário romano, que ganhava cerca de 187 denários por ano na época da erupção.

Isso significa que o rico proprietário do local investiu uma quantia elevada apenas em tinta, sem considerar os custos de aplicação ou mão de obra. O estudo demonstra como tintas em tons azuis e verdes eram símbolos de status, devido à dificuldade e o custo de sua produção.

A pesquisa foi liderada por Admir Masic, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e publicada na revista npj Heritage Science. Além de detalhar a composição do pigmento, o estudo ajuda a entender aspectos econômicos e sociais do Império Romano por meio da decoração e materiais utilizados em Pompeia.

Via Sputnik Brasil

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