PicPay tem queda de 34% em dois dias apesar de resultados financeiros positivos

Ação do PicPay cai 34% em dois dias mesmo com lucro acima do esperado. Entenda os motivos dessa oscilação no mercado.
21/03/2026 às 07:01 | Atualizado há 2 horas
               
A ação do PicPay caiu forte dois dias seguidos, apesar de resultado positivo do banco digital. (Imagem/Reprodução: Braziljournal)

As ações do PicPay registraram uma queda acumulada de 34% em dois dias, chegando a cair até 15% em um único dia. Isso ocorreu mesmo após a empresa divulgar resultados financeiros melhores do que o esperado no quarto trimestre de 2025, com lucro líquido de R$ 188 milhões e uma previsão positiva para o primeiro trimestre de 2026.

A queda nas ações está relacionada a uma rotação na base acionária após o IPO, principalmente devido à venda de grandes posições por fundos de investimento. Além disso, o PicPay está mudando seu foco de crédito FGTS para consignado privado, um segmento com risco um pouco maior, o que gerou desconfiança no mercado.

Apesar do crescimento expressivo da carteira de crédito e da margem ajustada ao risco maior no consignado privado, a inadimplência também subiu, refletindo desafios na expansão. Atualmente, a empresa está avaliada em cerca de US$ 1,45 bilhão na Nasdaq, negociando a aproximadamente oito vezes seu lucro estimado para 2026.

A ação do PicPay caiu até 15% nesta terça, acumulando uma baixa de 34% em dois dias, mesmo após apresentar resultados financeiros superiores às expectativas no quarto trimestre de 2025. O lucro líquido reportado foi de R$ 188 milhões, superando o guidance da empresa e projeções do mercado. O banco digital, controlado pelos irmãos Batista, também divulgou uma previsão positiva para o primeiro trimestre de 2026.

Fontes próximas indicam que a queda nas ações está ligada a uma rotação na base acionária após o IPO, comum em empresas com participação significativa de hedge funds. Dois fundos de investimento teriam vendido grandes posições, um chegando a zerar cerca de 400 mil ações. Esses movimentos foram atribuídos a uma mudança no cenário macroeconômico global e a divergências em relação à estratégia de crescimento do PicPay.

O banco digital está migrando do crédito FGTS, considerado no-risk, para o consignado privado, classificado como low-risk, que possui risco um pouco maior e requer provisões financeiras mais significativas. Contudo, este segmento apresenta uma margem ajustada ao risco (NIMAL) 2,5 vezes maior que a do FGTS.

A carteira de crédito do PicPay cresceu 128% em um ano, alcançando R$ 24,1 bilhões, impulsionada especialmente pelo consignado privado. No entanto, a inadimplência também subiu, com índice de NPL 90 dias alcançando 7,2%, reflexo do crescimento da carteira de cartões de crédito com limite progressivo.

Após as desvalorizações recentes, o PicPay está avaliado em cerca de US$ 1,45 bilhão na Nasdaq, negociando a aproximadamente 8 vezes seu lucro estimado para 2026.

Via Brazil Journal

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.