Eventos extremos como chuvas intensas e secas têm aumentado no Brasil, sobretudo em áreas vulneráveis como a Baixada Santista. Nessas regiões, a combinação de fatores naturais e sociais, como ocupação irregular e infraestrutura precária, intensifica os riscos de enchentes e incêndios urbanos.
Com o apoio da Unesp e governo, os Planos Comunitários de Redução de Risco (PCRA) unem conhecimento técnico e experiência local para criar estratégias adaptativas. O mapeamento participativo identifica áreas críticas e fortalece a capacidade das comunidades de enfrentar desafios ambientais.
Essa iniciativa destaca a importância do diálogo entre técnica, território e cultura. A participação comunitária e a integração de políticas públicas são essenciais para promover justiça social e ambiental, reduzindo riscos sem deixar pessoas para trás.
Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor e secas, têm aumentado no Brasil nas últimas décadas, refletindo a influência das mudanças climáticas. Além dos impactos ambientais, esses eventos revelam um quadro de vulnerabilidade social, especialmente em regiões costeiras como a Baixada Santista, onde as inundações são agravadas pela combinação de chuvas fortes, marés elevadas e ventos severos.
O risco ambiental composto é resultado da combinação entre perigo natural, presença humana e fragilidades estruturais. Em bairros como São Manoel (Santos) e México 70 (São Vicente), a ocupação irregular, instalada sobre manguezais e canais, com moradias precárias em palafitas, amplifica os efeitos das enchentes e aumenta a exposição a incêndios urbanísticos. Essas condições refletem processos históricos de exclusão socioespacial e racismo ambiental.
Os Planos Comunitários de Redução de Risco e Adaptação Climática (PCRA), implementados com apoio da UNESP e participação local, buscam unir conhecimento técnico e experiência cotidiana para elaborar estratégias de adaptação. Esse trabalho inclui mapeamento participativo, que identifica áreas críticas e prioridades, fortalecendo a capacidade das comunidades para enfrentar os desafios locais.
O diálogo entre técnica, território e cultura é essencial para respostas mais eficazes e justas. A cantora MC Vitória, da comunidade México 70, traduz esses desafios em sua música, evidenciando a realidade das palafitas e a necessidade de transformação urbana e infraestrutura adequada.
A adaptação climática, portanto, requer integração de políticas públicas, reconhecimento das desigualdades socioeconômicas e fortalecimento da participação comunitária para que o enfrentamento dos riscos não deixe ninguém para trás.
Via The Conversation