Planta aquática Salvinia auriculata reduz antibióticos e danos genéticos em peixes no rio Piracicaba

Estudo revela que planta aquática diminui antibióticos e danos genéticos em peixes no rio Piracicaba, São Paulo.
16/03/2026 às 09:01 | Atualizado há 4 horas
               
Salvinia auriculata no rio Piracicaba reduz contaminantes, bioacumulação e genotoxicidade. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Pesquisadores da USP estudaram resíduos de antibióticos no rio Piracicaba, identificando 12 tipos diferentes, entre eles tetraciclinas e fluoroquinolonas. Foi constatado que as concentrações aumentam na estação seca devido à menor diluição da água e que peixes locais apresentam contaminantes preocupantes, como cloranfenicol, proibido no Brasil.

A planta aquática Salvinia auriculata mostrou alta eficiência na redução da enrofloxacina na água, eliminando mais de 95% em poucos dias. Além disso, a planta ajudou a reduzir os danos genéticos causados pelo cloranfenicol em peixes, embora esse efeito varie conforme a biodisponibilidade dos antibióticos.

O estudo indica que o uso dessa planta pode ser uma estratégia natural para mitigar a contaminação por antibióticos em rios, mas alerta sobre a necessidade de cuidado para evitar a reintrodução dos poluentes no ambiente aquático.

Um estudo desenvolvido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) identificou resíduos de antibióticos no rio Piracicaba, um dos principais rios do interior paulista. Esse trabalho também avaliou como a planta aquática Salvinia auriculata, comum na região, pode ajudar a reduzir esses contaminantes e os danos genéticos em peixes.

Foram analisadas amostras de água, sedimentos e peixes nos períodos chuvoso e seco, identificando 12 antibióticos, como tetraciclinas e fluoroquinolonas. Na estação seca, as concentrações de compostos aumentam devido à menor diluição. No sedimento, níveis de substâncias como a enrofloxacina e sulfonamidas foram superiores a estudos internacionais similares.

Um achado preocupante foi a presença de cloranfenicol em lambaris, peixes consumidos localmente, só detectada na estiagem. Esse antibiótico é proibido para uso em animais no Brasil por toxicidade, indicando possível impacto na saúde humana via alimentação.

Testes com a Salvinia auriculata mostraram alta eficiência na remoção da enrofloxacina, eliminando mais de 95% em poucos dias. Para o cloranfenicol, a remoção foi menor e mais lenta. A planta absorve principalmente pelas raízes, processo conhecido como rizofiltração.

Entretanto, apesar da redução na água, a presença da planta pode modificar a absorção dos antibióticos nos peixes, aumentando às vezes sua biodisponibilidade. O cloranfenicol causou danos genéticos nos peixes, mas esses danos foram menores quando a Salvinia estava presente.

O estudo indica que plantas aquáticas podem auxiliar na mitigação de antibióticos em ambientes naturais, embora seu uso exija cuidados para evitar reintrodução dos contaminantes.

Via Galileu

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