Na quinta-feira, investidores reavaliam estratégias após o anúncio inesperado do aumento de tarifas comerciais americanas em 50%, feito pelo ex-presidente Donald Trump. A medida, detalhada em carta ao presidente Lula, justifica-se por supostas perseguições ao ex-presidente Bolsonaro e alegações de censura a empresas de mídia e internet dos EUA pelo STF, com vigência a partir de 1º de agosto.
Essa decisão tem potencial para desequilibrar a balança comercial brasileira, especialmente porque grande parte das exportações para os EUA consiste em commodities, onde a influência do vendedor sobre os preços é limitada. A elevação das tarifas pode levar a uma diminuição significativa nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, impactando produtos como petróleo, minério de ferro, aço, aeronaves, café e celulose.
A motivação política por trás do aumento de tarifas comerciais surpreendeu os analistas, já que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil. A carta de Trump menciona uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro antes de abordar as relações comerciais entre os dois países, o que adiciona uma camada de incerteza ao cenário econômico.
O mercado financeiro reagiu com turbulência. Os contratos futuros de dólar fecharam em alta de 2,37% na quarta-feira, cotados a R$ 5,577, e o Ibovespa, após um início estável, recuou cerca de 1,3% no fechamento. Há uma expectativa de que o dólar continue a subir e as ações a cair nos próximos dias, enquanto as negociações comerciais permanecem incertas.
No cenário doméstico, os indicadores econômicos também estão no radar, com o IPCA de junho com expectativa de 0,20%, permanecendo em 5,32% nos últimos 12 meses. Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 236 mil, um leve aumento em relação aos 233 mil da semana anterior. Esses dados ajudam a compor um quadro complexo para os investidores.
A situação atual exige cautela e análise atenta dos desdobramentos políticos e econômicos. O aumento de tarifas comerciais imposto pelos Estados Unidos adiciona um elemento de imprevisibilidade ao mercado brasileiro, exigindo que empresas e investidores recalibrem suas estratégias para mitigar os possíveis impactos negativos.
Via Forbes Brasil