Pesquisadores do sudeste do Brasil registraram pela primeira vez uma jaguatirica arrastando a carcaça de um bezerro recém-nascido em um fragmento florestal degradado de Caeté, Minas Gerais. O registro foi feito com armadilhas fotográficas e vídeo, revelando um comportamento adaptativo da espécie em áreas modificadas pelo homem.
A jaguatirica, que normalmente caça pequenos mamíferos e aves, mostrou flexibilidade ao aproveitar presas maiores, como o bezerro. Esse comportamento destaca o papel desse mesopredador na regulação das cadeias alimentares e no equilíbrio do ecossistema local.
O vídeo também evidencia a influência das atividades humanas no habitat natural, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias que promovam a conservação da biodiversidade em ambientes rurais e fragmentados.
Pesquisadores registraram pela primeira vez, por meio de armadilhas fotográficas e vídeo, uma jaguatirica (Leopardus pardalis) arrastando a carcaça de um bezerro recém-nascido em um fragmento florestal degradado no sudeste do Brasil. O registro foi feito em um mosaico entre Cerrado e Mata Atlântica em Caeté, Minas Gerais, e publicado na revista Biotropica.
Essa evidência mostra a flexibilidade alimentar dessa espécie, que consome pequenos mamíferos, aves e répteis, mas também se aproveita de presas maiores, especialmente em paisagens modificadas pela presença humana. A jaguatirica exerce papel importante na regulação das cadeias alimentares, controlando populações de presas e ajudando a manter o equilíbrio do ecossistema.
O vídeo mostra a presença de uma vaca e seu bezerro, com o animal recém-nascido vulnerável, sendo explorado por morcegos-vampiros. Horas depois, o filhote aparece sozinho e debilitado, momento em que uma jaguatirica é flagrada transportando a carcaça. Embora não seja possível afirmar se o predador matou o bezerro ou encontrou a carcaça, o comportamento demonstra uso oportunista dos recursos disponíveis.
Registros adicionais indicam que a área oferece presas típicas da jaguatirica, como gambás e aves, reforçando sua adaptação em ambientes fragmentados. Em regiões onde grandes predadores diminuíram, a presença desses mesopredadores pode impactar a dinâmica local, influenciando desde a vegetação até outras espécies.
Esse tipo de documentação é fundamental para entender a interação entre fauna silvestre e atividades humanas, além de contribuir para estratégias de manejo que conciliem produção rural e conservação da biodiversidade.
Via The Conversation