Privatização da BR Distribuidora impacta preço dos combustíveis para consumidores em crise

Privatização da BR Distribuidora elimina controle público e eleva preços da gasolina em momento de alta no combustível.
14/03/2026 às 15:21 | Atualizado há 4 dias
               
Privatização da BR Distribuidora retira controle estatal e expõe mercado a riscos. (Imagem/Reprodução: Eshoje)

A privatização da BR Distribuidora, finalizada em 2021, retirou do setor público o controle sobre a cadeia de abastecimento de combustíveis no Brasil. Especialistas indicam que essa mudança contribuiu para os altos preços da gasolina, que já chega a R$9 o litro em São Paulo, com margens de lucro das distribuidoras que podem chegar a 40%.

Sem a estrutura integrada do modelo antigo, o governo perdeu instrumentos para conter aumentos excessivos, principalmente em períodos de crise. Apesar das medidas adotadas, como redução de impostos e monitoramento do mercado, os consumidores continuam enfrentando preços elevados, enquanto a empresa privada que adquiriu a BR apresenta lucros crescentes.

O cenário evidencia a dificuldade em aplicar políticas de preços com função social sem o controle público. A saída da Petrobras do segmento de distribuição dificulta a intervenção estatal para atenuar impactos sobre a população em contextos econômicos delicados.

Especialistas do setor de petróleo indicam que os preços altos dos combustíveis em São Paulo, com a gasolina chegando a R$ 9 o litro, não se devem apenas às oscilações globais. A privatização da BR Distribuidora eliminou o controle público sobre a cadeia de abastecimento, permitindo reajustes que não refletem os valores das refinarias.

Sem a estrutura integrada do antigo modelo “do poço ao posto”, o país perdeu mecanismos para conter aumentos exagerados em crises. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), as distribuidoras e revendedoras têm aplicado margens de lucro elevadas, que chegam a aumentar o preço final em até 40%.

O governo tentou minimizar o impacto com medidas como a redução das alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel e a concessão de subvenções, reduzindo o preço do combustível em cerca de R$ 0,64 por litro para o consumidor. Além disso, foi criada uma sala de monitoramento para acompanhar o mercado interno e externo.

A perda do controle da BR Distribuidora pela Petrobras, concluída em 2021, tirou do Estado instrumentos institucionais para intervir no setor estratégico. Para professores e técnicos, a retirada da empresa pública do segmento de distribuição dificultou a adoção de políticas de preços diferenciadas, já que essas empresas públicas têm uma função social além do lucro.

Recentemente, a Vibra Energia, que adquiriu a BR Distribuidora, reportou lucro de R$ 679 milhões em 2024, refletindo margens crescentes, numa realidade distinta daquela enfrentada pelos consumidores.

Via Eshoje

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.