O racismo, analisado como uma instituição social, tem raízes profundas que remontam ao comércio atlântico de escravos e à escravidão negra. Essa estrutura organizada criou desigualdades e preconceitos que persistem até hoje, evidenciando como o racismo foi mantido por sistemas europeus e suas consequências.
Essa construção social do racismo está ligada a uma história de exclusão e ódio ao outro, reforçada pela ideia de superioridade europeia. Compreender essa origem é fundamental para enfrentar os desafios atuais de discriminação e desigualdade no Brasil e no mundo.
O livro Em torno de Angola: narrativas, identidades e conexões atlânticas reúne artigos que discutem os impactos do comércio atlântico de escravos, ressaltando a complexidade desse sistema que envolveu Europa, África e América. A obra parte do seminário realizado na Universidade de Brasília em 2011, aprofundando a análise histórica, cultural e literária sobre essa etapa marcada pela escravidão negra.
Ao contrário da escravidão praticada em certas sociedades antigas, a escravidão negra no período do mercantilismo envolveu uma cadeia organizada que supriu um comércio lucrativo e destrutivo. Não se pode atribuir à ganância africana a responsabilidade principal, pois o sistema europeu montou uma estrutura estatal e comercial para garantir o aprisionamento e a venda de milhões.
Esse modelo articulado gerou a maior diáspora da história e deixou profundas consequências sociais, como desigualdades e o racismo, que se manifesta até hoje, evidenciado por movimentos supremacistas recentes. A ideia de superioridade europeia pautou essa engrenagem, justificando o desmantelamento de culturas originárias e promovendo desigualdades entre povos.
O filósofo Cornelius Castoriadis, citado no estudo, destaca que o racismo entende-se como uma forma radical de exclusão e ódio ao outro — um traço presente em muitas sociedades, mas exacerbado historicamente no caso da escravidão. Essa intolerância permanece relevante, permeando hoje diversas outras formas de discriminação no Brasil e no mundo.
Assim, entender a escravidão negra como uma instituição complexa e uma construção social é fundamental para compreender os desafios atuais relacionados à desigualdade e ao preconceito, chamando atenção para a necessidade de vencer o ódio como base das divisões.
Via eshoje.com.br