Selic: O que pode impactar nova alta dos juros no Brasil

Entenda como a nova alta da Selic pode afetar sua vida e os mercados brasileiros.
05/06/2025 às 19:47 | Atualizado há 3 meses
Aumento da Selic
Taxas dos DIs sobem em alta, aumentando as apostas por novo aumento do Banco Central. (Imagem/Reprodução: Moneytimes)

Em um cenário de crescente apreensão, as taxas dos DIs encerraram o dia em alta, com investidores ajustando suas projeções diante da expectativa de que o Banco Central possa anunciar um aumento da Selic de 25 pontos-base em junho. Essa mudança reflete uma leitura mais conservadora das recentes comunicações das autoridades monetárias.

O mercado financeiro reagiu rapidamente, com operadores buscando se reposicionar em resposta às novas perspectivas. Apesar da ausência de um catalisador específico, a percepção geral é de que o Banco Central pode endurecer sua política monetária.

No fechamento da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2026 atingiu 14,9%, um aumento em relação aos 14,82% da sessão anterior. Similarmente, a taxa para janeiro de 2027 subiu para 14,36%, representando um acréscimo de 15 pontos-base em comparação com os 14,212% anteriores.

Entre os contratos de longo prazo, a taxa para janeiro de 2031 alcançou 13,91%, um aumento de 14 pontos-base face aos 13,77% anteriores, enquanto o contrato para janeiro de 2033 registrou uma taxa de 13,95%, em comparação com os 13,813% anteriores.

As taxas futuras de juros no Brasil apresentaram uma trajetória ascendente ao longo do dia, mesmo com os rendimentos dos Treasuries exibindo oscilações negativas no exterior durante a manhã.

De acordo com Lais Costa, analista da Empiricus Research, essa movimentação reflete a expectativa de que o BC implementará um aumento da Selic de 25 pontos-base ainda este mês, contrariando as estimativas anteriores.

Costa destacou que houve uma mudança no sentimento do mercado, com economistas de mesa alterando suas posições em relação ao Comitê de Política Monetária (Copom), atribuindo essa mudança, em parte, ao discurso recente de Gabriel Galípolo, presidente do BC.

O discurso de Galípolo, em um evento em São Paulo, ressaltou que o Copom continua a discutir o ciclo de alta da Selic, atualmente em 14,75% ao ano, em vez de considerar o início de um ciclo de cortes, o que reforçou a possibilidade de um novo aumento da Selic de 25 pontos-base.

Segundo um operador de um banco de investimentos, as reuniões com membros do BC têm transmitido um tom que não tem agradado os agentes de mercado, o que justificaria a mudança nas apostas, de manutenção para alta de 25 pontos-base.

O mercado de opções de Copom da B3 ilustra claramente essa mudança de expectativas, com a precificação indicando uma diminuição na probabilidade de manutenção da Selic e um aumento correspondente na probabilidade de um aumento da Selic.

Há pouco mais de uma semana, as probabilidades eram de 83,00% para manutenção e 14,50% para alta de 25 pontos-base, enquanto na última atualização, as precificações eram de 53,25% para manutenção e 44,50% para alta de 25 pontos-base.

Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, observou que o tom de cautela adotado por Galípolo fortaleceu a expectativa de um aumento da Selic de 25 pontos-base.

Internamente, os investidores no Brasil permaneceram atentos às discussões em Brasília sobre medidas fiscais alternativas ao aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), embora sem novidades relevantes no noticiário.

No cenário internacional, os yields se consolidaram em alta durante a tarde, com as taxas de curto prazo apresentando um ritmo mais acelerado.

Às 16h49, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete as expectativas para as taxas de juros de curto prazo, registrou um aumento de 5 pontos-base, atingindo 3,928%. Enquanto isso, o retorno do título de dez anos, referência global para decisões de investimento, subiu 3 pontos-base, alcançando 4,399%.

Via Money Times

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.