Setor Agropecuário Comenta Sobre Aumento do Plano Safra

Entenda como a alta dos juros afeta o novo Plano Safra, o mais caro da história brasileira.
01/07/2025 às 19:18 | Atualizado há 2 meses
Plano Safra da História
Lideranças divergem sobre o futuro do ciclo 2025/26, entre otimismo e cautela. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O governo federal anunciou um montante recorde de R$ 605,2 bilhões em crédito para o setor agropecuário, no Plano Safra da História 2025/26. Desse total, R$ 516,2 bilhões serão destinados à agricultura empresarial e R$ 89 bilhões à agricultura familiar. Apesar do volume expressivo, o aumento das taxas de juros nas principais linhas de financiamento para o segmento empresarial, que subiram de 1,5% a 2%, gerou insatisfação em parte do setor.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, criticou o aumento das taxas, afirmando que a medida elevará em R$ 58 bilhões o custo para o produtor rural. Ele considera esse aumento como o verdadeiro recorde, resultado da “irresponsabilidade fiscal do governo”.

Do total de recursos anunciados, R$ 415 bilhões serão direcionados para operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 102 bilhões serão investidos em infraestrutura produtiva. Lupion expressou preocupação com o impacto das taxas de juros elevadas nos investimentos. Segundo ele, o aumento pode desestimular os produtores a buscarem crédito para investir, resultando em um esvaziamento dessa área.

A ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também se manifestou sobre as taxas do Plano Safra 2025/26, criticando as altas taxas de juros, que podem chegar a 14% em algumas linhas de crédito. Ela classificou esse cenário como um “terrível recorde histórico” em uma publicação na rede social X.

Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ressaltou que o plano não atende à importância estratégica da agricultura no Brasil, alegando que os valores estão abaixo do necessário. Ele também chamou a atenção para a ausência de anúncios sobre o seguro rural, mencionando o congelamento de R$ 435 milhões para este ano, o que afeta diretamente o produtor.

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) também se pronunciou, destacando que os valores anunciados são insuficientes para acompanhar o crescimento do setor, especialmente com as altas taxas de juros, que corroem o montante disponível.

O setor pecuário também reagiu negativamente. Romildo Antônio da Costa, diretor de relações governamentais da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), afirmou que este é o Plano Safra da História mais caro, o que não garante um aumento nos investimentos. Ele criticou o fato de o Brasil ser um dos países que menos oferece ajuda de renda aos produtores, e que o valor anunciado não atende às necessidades do setor agropecuário, além de mencionar o bloqueio de metade do R$ 1 bilhão destinado ao seguro rural.

O programa também trouxe iniciativas de estímulo a práticas mais sustentáveis na agropecuária, como o acesso facilitado a linhas específicas e a redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros para quem investir em atividades ambientalmente responsáveis.

Márcio Langer, secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), celebrou os programas destinados a práticas mais sustentáveis, como a transição para a agroecologia, mas também destacou as altas taxas de juros, questionando como os recursos sustentáveis chegarão aos produtores.

Paulo Petersen, integrante do Núcleo Executivo da Associação Nacional de Agroecologia (ANA), destacou o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) como um dos grandes destaques do Plano Safra da História 2025/26, celebrando o reconhecimento da necessidade de reduzir o uso de agrotóxicos na agricultura brasileira.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.