Dois estudantes morreram e cerca de 20 estão em tratamento após surto de meningite na Universidade de Kent, no Reino Unido. A doença afetou uma geração que não foi vacinada contra a cepa responsável pela infecção, pois a vacina passou a ser oferecida rotineiramente somente após 2015.
A bactéria responsável pela meningite se espalha facilmente em ambientes como universidades, onde há contato próximo entre alunos. O programa público de vacinação não inclui adultos, o que dificulta a imunização dessa população, e o custo da vacina privada é elevado.
O governo britânico avalia mudanças na política de vacinação para incluir universitários. Enquanto isso, a situação reforça a importância da prevenção e levanta questões sobre os critérios que limitaram o acesso à vacina para esse grupo de risco.
Dois jovens faleceram e cerca de 20 estudantes estão em tratamento após um surto de meningite na Universidade de Kent. Esse grupo pertence a uma geração que não recebeu a vacinação rotineira contra a cepa responsável pela doença. A vacina Bexsero, disponível desde 2013 para a meningite do grupo B, foi incluída no calendário de imunização do Reino Unido apenas para bebês a partir de setembro de 2015. Por isso, estudantes universitários atualmente não têm proteção de rotina contra essa forma comum de meningite bacteriana.
O programa do NHS não foi estendido para adultos nem houve campanhas retroativas. Um ponto crucial é que a vacina protege o indivíduo, mas não impede a transmissão das bactérias na população. Ou seja, não gera imunidade coletiva. Como a bactéria se espalha por contato próximo — como beijos e compartilhamento de objetos — ambientes universitários são propícios para a disseminação rápida.
Estudos indicam que o risco de contrair meningite tipo B é quase 12 vezes maior para estudantes do primeiro ano que moram em alojamentos. Apesar da disponibilidade privada da vacina, seu custo é elevado, ficando em torno de £220 (aproximadamente R$ 1.440), o que dificulta o acesso para muitos. Após o surto, houve aumento significativo na demanda por vacinação privada.
A reação do governo tem sido reavaliar a política de vacinação para incluir o público universitário. Enquanto a atual geração não vacinada terá que aguardar até 2033 para estar protegida de forma automática, a crise em Kent levanta dúvidas sobre os critérios econômicos que limitaram o programa ao grupo infantil, especialmente diante do risco alto associado à vida acadêmica.
Via The Conversation