Textos gnósticos descrevem Deus da Bíblia como divindade falsa

Textos gnósticos antigos criticam Deus do Antigo Testamento como uma divindade falsa e explicam a diferença para o Deus do Novo Testamento.
28/01/2026 às 10:24 | Atualizado há 1 semana
               
A descrição sugere que as obras reinterpretam a criação judaica integrando conceitos platônicos. (Imagem/Reprodução: Redir)

O gnosticismo é uma corrente religiosa da Antiguidade que reinterpretou o Deus da Bíblia, especialmente do Antigo Testamento, como um ser falso, imperfeito e distinto do verdadeiro Deus representado por Jesus Cristo.

Os textos gnósticos, descobertos em Nag Hammadi, no Egito, apresentam um diálogo entre cristianismo, judaísmo e filosofia platônica, associando o Deus do Antigo Testamento a um Demiurgo limitado e distante.

Essa visão busca explicar as diferenças entre o Deus vingativo do Antigo Testamento e o Deus mais amoroso do Novo Testamento, propondo uma mitologia própria que desafia a ortodoxia bíblica.

O gnosticismo é um conjunto de ideias religiosas e filosóficas da Antiguidade que reinterpretou o Deus da Bíblia, especialmente o do Antigo Testamento. Segundo esses textos, influenciados pela filosofia platônica, o Deus bíblico seria uma divindade falsa, má e incompetente, distinta do verdadeiro Deus representado por Jesus Cristo.

Com origens que datam dos séculos 2º e 3º d.C., graças à descoberta dos códices de Nag Hammadi, no Egito, esses escritos mostram um diálogo entre o cristianismo nascente, o judaísmo e o platonismo. Platão via o mundo físico como imperfeito, criado por um Demiurgo, uma entidade artesanal que molda o universo a partir de formas ideais, mas de forma limitada.

No pensamento gnóstico, esse Demiurgo é associado ao Deus do Antigo Testamento, visto como um ser imperfeito e distante do Deus verdadeiro, que enviou Jesus para trazer o conhecimento libertador chamado de gnóssis. Esse conhecimento seria a chave para libertar os espíritos presos no mundo material criado pelo falso Deus, um conceito que revisa radicalmente as tradições judaicas e cristãs.

A distinção entre essas duas divindades é uma forma de explicar as diferenças entre a figura do Deus do Antigo Testamento, considerado vingativo e violento, e o Deus do Novo Testamento, mais associado ao amor e ao perdão. O gnosticismo, portanto, desenvolveu uma mitologia própria que desafia a ortodoxia bíblica e seus fundamentos religiosos.

Via Folha de S.Paulo

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