Nos últimos anos, o cenário de Venture capital no Brasil passou por transformações marcantes, especialmente após a euforia observada em 2021. No início dessa fase, houve um aumento significativo no fluxo de investimento, levando a avalições altas e uma atmosfera de otimismo exagerado. Contudo, os anos seguintes, com um “inverno” financeiro, queriam que o setor se adaptasse e se tornasse mais realista.
Pedro Melzer, sócio do Patria Investments e vice-presidente da ABVCAP, ressalta que a época das “vacas gordas” trouxe ensinamentos importantes. A abundância de capital incentivou decisões rápidas e arriscadas, geralmente priorizando o crescimento sem considerar a sustentabilidade das empresas. Esta correção no mercado obrigou uma reflexão sobre as expectativas e as práticas de investimento, favorecendo uma abordagem mais racional e focada em valor real.
Atualmente, o ambiente é considerado mais saudável. Com um foco maior na geração de valor real, as startups estão adotando uma governança mais estruturada e relações transparentes com os investidores. O público agora espera uma análise mais cuidadosa e criteriosa em cada decisão de investimento. Marcello Gonçalves, cofundador da DOMO.VC, compara essa fase à transição da adolescência para a vida adulta, enfatizando a construção de uma identidade sólida para o venture capital no Brasil.
Dentre as lições aprendidas, ficou claro que a estratégia de crescimento a qualquer custo é insustentável. O capital, embora seja uma ferramenta poderosa, pode ser destrutivo se mal utilizado. O panorama de menos liquidez levou o mercado a compreender suas particularidades em relação ao modelo norte-americano de venture capital.
Ademais, a proximidade de eventos principais, como as eleições, adiciona mais incertezas ao futuro deste ecossistema. Questões que ganham destaque incluem: o espaço para a diversidade de fundos, especialmente para startups em estágio inicial, e o papel das gestoras menores, que podem oferecer novas formas de financiamento. A expectativa é que os próximos anos sejam de um realinhamento entre o que o mercado realmente deseja e o que pode ser alcançado.
No geral, as mudanças observadas nas dinâmicas de venture capital no Brasil preveem um amadurecimento constante. Os investidores e fundadores estão se adaptando, buscando um equilíbrio entre crescimento, responsabilidade e inovação.
Via Startups