No universo da tecnologia, algumas empresas que fornecem a infraestrutura essencial acabam não recebendo o devido reconhecimento. É o caso da TP-Link, uma fabricante fundamental dos Roteadores da TP-Link, que garantem nossa conexão diária à internet. Com uma trajetória extensa e forte presença no Brasil, a TP-Link merece ser conhecida em detalhes, desde sua origem até sua diversificação e os desafios enfrentados no mercado global.
Fundada em 1996 em Shenzhen, China, a TP-Link nasceu da visão dos irmãos Chao Jiànjūn e Chao Jiāxīng (conhecidos no ocidente como Cliff e Jeffrey). Os fundadores da TP-Link optaram por manter um perfil discreto, com pouca informação disponível sobre eles fora da China. O nome da empresa tem origem no cabo de par trançado (twister pair link), uma invenção de Alexander Graham Bell para telefonia que minimiza interferências.
Inicialmente, a TP-Link focou na produção de placas de rede. No início dos anos 2000, a empresa decidiu mudar sua estratégia para dispositivos de rede sem fio, como pontos de acesso e roteadores. Essa mudança permitiu que a TP-Link se tornasse líder no mercado chinês em apenas dois anos.
A expansão internacional da TP-Link começou em 2007, incluindo o Brasil, inicialmente representada pela Unicoba. Nesse mesmo ano, lançou o TL-WR642G, seu primeiro roteador de sucesso global. Ao longo dos anos, a TP-Link lançou diversos dispositivos de conexão com a internet, tanto com fio quanto sem fio. Entre os modelos mais populares, destacam-se o TL-WR740N (2009), um dos mais acessíveis da marca, e o Portable 3G TL-MR3040 (2011), que criava pontos de acesso Wi-Fi portáteis.
Outros modelos relevantes incluem o TP-Link Archer C7 (2013), que popularizou o Wi-Fi de duas bandas, e o Talon AD7200 (2016), o primeiro roteador compatível com o padrão Wi-Fi 802.11ad. A reputação da TP-Link no setor de roteadores cresceu tanto que, em 2015, a empresa colaborou com a Asus para fabricar o OnHub, um roteador lançado pelo Google. No mesmo ano, lançou a linha Pharos, de equipamentos de rede para uso externo.
Em 2016, a TP-Link tentou ingressar no mercado de smartphones com a linha Neffos, cujo primeiro modelo foi o C5. Apesar de análises medianas, a linha continuou com modelos como o X1 e o X1 Max, que chegaram ao Brasil. No entanto, devido à alta competitividade, a empresa não insistiu nesse segmento. Em 2017, a TP-Link lançou a linha Deco M5, sua primeira geração de sistemas de conexão mesh, que utiliza múltiplos módulos para criar uma rede de sinal estável.
A empresa também lançou a Omada, uma divisão focada no mercado corporativo, oferecendo soluções em nuvem, serviços de acesso à rede e suporte ao cliente. Para diversificar ainda mais, a TP-Link criou a Tapo, uma marca para itens de casa inteligente, como câmeras, adaptadores de tomada, lâmpadas e aspiradores robô. Além da Tapo, a TP-Link possui a Vigi, focada em dispositivos de vigilância e segurança, como câmeras de alta definição com monitoramento remoto.
Nos últimos anos, a divisão norte-americana e internacional da TP-Link se separou formalmente da divisão chinesa, com equipes e estratégias diferentes. Essa medida visava demonstrar que as operações nos EUA e na China não estavam diretamente conectadas. Como resultado, em outubro de 2024, nasceu a TP-Link Systems em Irvine, Califórnia, atuando separadamente da TP-Link Technologies, que permanece focada no mercado chinês. Atualmente, a TP-Link Systems detém 65% do mercado de roteadores domésticos nos Estados Unidos.
Recentemente, a empresa enfrentou desafios. No final de 2024, o governo de transição de Donald Trump considerou banir os Roteadores da TP-Link devido a preocupações com cibersegurança e possíveis ligações com o governo chinês. Em maio de 2023, a Check Point descobriu um firmware malicioso em roteadores da TP-Link, com possíveis conexões com hackers chineses. A empresa se defendeu afirmando que atualiza constantemente seus equipamentos para corrigir vulnerabilidades, embora a colaboração do usuário seja crucial.
Via TecMundo