Um ano após saída da Vale, Cosan segue reestruturando sua dívida

Cosan ainda negociando dívidas e reestruturações complexas um ano após vender participação na Vale.
06/01/2026 às 07:22 | Atualizado há 3 dias
               
Estrutura de 2022 gerou renegociações para Cosan de Rubens Ometto e André Esteves. (Imagem/Reprodução: Investnews)

Após vender sua participação na Vale em 2024 por cerca de R$ 9 bilhões, a Cosan enfrenta dificuldades para quitar dívidas que ultrapassam R$ 20 bilhões. A venda não foi suficiente para reduzir o endividamento, e a empresa continua desfazendo a estrutura financeira criada para o investimento.

O BTG Pactual tem papel central na reestruturação, adquirindo dívida e ajudando a renegociar os termos com foco em evitar aumento nos custos financeiros. A participação do banco cresceu após investimento na holding Cosan, que segue sob controle de Rubens Ometto.

Além disso, a Cosan busca simplificar sua estrutura, com estratégias como a transferência de ações da Moove e negociações complexas envolvendo a Raízen e sua sócia Shell, diante da alta alavancagem da área de combustíveis.

Após encerrar a aposta na Vale em 2024, a Cosan segue desfazendo a estrutura financeira complexa criada para viabilizar o investimento. A venda da participação na mineradora por cerca de R$ 9 bilhões não foi suficiente para quitar os compromissos que ultrapassavam R$ 20 bilhões, o que resultou em aumento significativo do endividamento do grupo.

O BTG Pactual tornou-se peça-chave nessa reestruturação. Em dezembro de 2025, o banco adquiriu metade de um empréstimo de R$ 4 bilhões concedido pela Bradesco BBI à Cosan, em uma negociação de R$ 2 bilhões lastreada pelas ações da Cosan Dez, holding que controla 88% da Compass, empresa de gás do grupo. Essa participação permitiu rever as condições da dívida e evitar aumentos no custo financeiro previstos para 2026.

A entrada do BTG reforçou sua influência no grupo após investir R$ 4,5 bilhões no aumento de capital de R$ 10 bilhões da Cosan, passando a deter mais de 20% da holding, embora Rubens Ometto mantenha o controle formal.

Enquanto isso, a situação da Cosan Nove, que detém participação na Raízen, é mais complexa devido à elevada alavancagem da empresa de combustíveis, que pode demandar capital adicional de R$ 10 bilhões. A renegociação nessa frente envolve questões societárias, com decisivo papel da sócia Shell.

A Cosan também tem buscado simplificar sua estrutura financeira, como na transferência de 19,9% das ações da Moove para um fundo estruturado com o Citibank, estratégia que ocorreu após o fracasso do IPO da empresa em Nova York.

Via InvestNews

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